A fototerapia vem sendo utilizada para tratamento de doenças da pele há muito tempo, com indícios de que ela tenha sido utilizada já pelos Hindus, uma das sociedades mais antigas do mundo, através da exposição solar de manchas brancas da pele associadas a plantas medicinais.
Com o conhecimento e tecnologia que a medicina vem alcançando, novos equipamentos e fontes de radiação ultravioleta tem surgido. E com o aprimoramento das técnicas de aplicação dessa modalidade terapêutica, a fototerapia tem se mostrado cada vez mais eficaz e segura, além de ser mais uma opção terapêutica no tratamento das diversas doenças da pele.



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Os vários efeitos biológicos da fototerapia são responsáveis pelo tratamento de diversas doenças dermatológicas, como:

Radiação Ultravioleta

O Sol emite energia em praticamente todos os comprimentos de onda do espectro eletromagnético. A radiação ultravioleta (UV) é a parte do espectro eletromagnético referente aos comprimentos de onda entre 100 e 400 nanômetros (nm).

A radiação UV pode então ser dividida, de acordo com a intensidade que é absorvida pelo oxigênio e ozônio, em três espectros importantes de comprimento de onda.

Os efeitos fotobiológicos da radiação UV com aplicação na medicina, em especial na dermatologia, estão subdivididos dentro desses intervalos:

UVC: 100* - 280nm UVB: 280 - 320nm UVA: 320 - 400nm
*UVC de vácuo: 100 - 200nm UVB banda larga (290 - 320nm) UVA 1: 340 - 400nm
  UVB de banda estreita: 311 - 313nm  
  Excimer laser: 308nm  

Portanto, a fototerapia, que consiste no emprego da radiação ultravioleta (UV) no tratamento de diversas doenças da pele, vem sendo utilizada há muitas décadas na dermatologia. Porém, foi somente entre as décadas de 40 e 70, com o início da terapia realizada com o espectro UVA da luz, associada ao psoraleno, uma substância fotossensibilizante, que o tratamento das doenças da pele com ultravioleta ganhou novas descobertas.

Atualmente existem diversas modalidades de fototerapia, sendo consideradas principais:

UVB-NB

A fototerapia do tipo UVB utiliza a radiação ultravioleta B para produzir uma série de efeitos na pele, que tem propriedades de tratar diversas doenças, sem necessidade do uso de substâncias fotossensibilizantes, conhecidas como psoralenos, utilizadas na fototerapia do tipo PUVA.

O comprimento de onda da radiação UVB situa-se entre 290nm e 320nm, e é utilizado desde a década de 70 como tratamento dermatológico.

Por volta dos anos 80, foram desenvolvidos equipamentos capazes de emitir um espectro mais estreito dessa radiação, situada entre 311nm e 313nm. Esse espectro tem maior capacidade de tratar as lesões dermatológicas, e a partir dessa descoberta, melhores resultados terapêuticos têm sido obtidos com a fototerapia conhecida como UVB de banda estreita ou UVB-Narrow Band.

PUVA

O comprimento de onda da radiação UVA situa-se entre 320nm e 400nm, e vem sendo utilizado há muitas décadas na dermatologia para o controle de diversas doenças da pele.

Porém, na década de 70, foi demonstrada que a combinação de uma substância fotossensibilizante como o psoraleno, administrada por via oral, com a exposição à radiação ultravioleta A, era altamente eficaz para o tratamento da psoríase. Essa terapia ficou conhecida como PUVA, e a partir dessa descoberta, a terapia com a radiação ultravioleta vem sendo aprimorada e novas doenças passaram a se beneficiar desse tratamento.

Os resultados terapêuticos obtidos com essa associação não podem ser alcançados individualmente por nenhum desses componentes quando realizados isoladamente.

Os fotossensibilizantes podem ser utilizados de muitas formas, como por via oral, em formas de cremes, soluções e banhos. Existem muitos produtos com propriedades fotossensibilizantes, desde extratos de plantas a sementes, e os mais utilizados para compor a terapia PUVA são os psoralenos.

Os psoralenos podem ser encontrados naturalmente, e hoje também existem compostos sintéticos de psoralenos.

Mecanismos de ação da fototerapia com ultravioleta B e ultravioleta A:

A ação da fototerapia com a radiação ultravioleta B consiste na absorção desse espectro de luz por algumas moléculas na pele chamadas de cromóforos, sem a necessidade de utilização de substâncias químicas como medicamentos – fotossensibilizantes, para que isso ocorra.

Essas moléculas conhecidas como cromóforos estão presentes no núcleo, no citoplasma e na membrana das células, porém o principal cromóforo no caso do UVB é o próprio DNA, localizado dentro do núcleo das células.

No caso da radiação ultravioleta A, a diferença no mecanismo de ação para o ultravioleta B, consiste na  ligação do psoraleno ao DNA das células.

Quando a radiação ultravioleta é absorvida por esses cromóforos, DNA da célula, ou a estrutura formada pela ligação do DNA com o psoraleno, ela gera diversos efeitos fotobiológicos, entre eles a redução da proliferação excessiva das células da pele – os queratinócitos, a alteração da função de células e substâncias importantes para o desenvolvimento da doença, como as células de Langerhans e as interleucinas respectivamente, a destruição de células inflamatórias, como os linfócitos e o estímulo da produção de melanina, pigmento responsável pela cor da pele.

Protocolos de tratamento clínico e resultados terapêuticos:

Existem diversos protocolos de tratamento clínico, todos com bons resultados terapêuticos.

As sessões de fototerapia podem ser realizadas de 2 a 5 vezes por semana, sendo que a maioria dos pacientes atinge o resultado esperado com 2 sessões por semana.

O tempo de tratamento necessário para que o resultado seja obtido varia entre um paciente e outro, especialmente quando se trata de doenças de pele diferentes.

Após o resultado terapêutico ser alcançado, o tratamento pode ser interrompido para a maioria dos casos. A manutenção com menor número de sessões semanais, ou com tempo reduzido de cada sessão também poderá ser feita, sendo indicada para cada caso individualmente.

Efeitos colaterais

Os efeitos colaterais com a fototerapia estão relacionados, no curto prazo, com queimaduras da pele, principalmente quando os pacientes são expostos a doses de ultravioleta inadequadas para o seu tipo de pele e para a doença que apresentam. Essa situação é totalmente evitável, desde que a técnica seja empregada por médicos capacitados para o seu manejo.

No longo prazo, o que se discute é a possibilidade da exposição prolongada à radiação UV aumentar o risco de formação dos canceres da pele do tipo não melanoma e o envelhecimento precoce da pele.

Diversos estudos têm demonstrado que o aumento dos canceres da pele do tipo não melanoma, principalmente o tipo Basocelular, é mínimo, não tornando a fototerapia uma contraindicação quando necessária para o controle de uma doença dermatológica.